Cerca de 30 mil exames serão aplicados na primeira etapa do projeto, entre agosto e novembro de 2026
O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) realizou, na tarde desta quinta-feira (30), o lançamento nacional do Exame de Proficiência em Língua Inglesa (EPLI), iniciativa inédita desenvolvida integralmente por servidores da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.
Realizado na Reitoria do IFSP, em São Paulo, o evento reuniu representantes das instituições participantes, gestores da Rede Federal, especialistas em avaliação de línguas e parceiros institucionais para marcar o início da implementação do exame em âmbito nacional.
O EPLI foi concebido para avaliar as competências comunicativas em língua inglesa dos estudantes da Rede Federal e nasce com um duplo objetivo: ampliar o acesso gratuito aos exames de proficiência e produzir informações estratégicas que contribuam para o fortalecimento das políticas de ensino de línguas e de internacionalização das instituições federais de educação profissional e tecnológica.
Embora as primeiras discussões sobre a criação de um exame próprio tenham começado em 2017, o projeto ganhou forma a partir de 2024, quando o IFSP obteve financiamento da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC), do Ministério da Educação. Os recursos permitiram o desenvolvimento da plataforma tecnológica, da matriz de referência do exame, dos instrumentos de avaliação e de toda a infraestrutura necessária para sua aplicação em escala nacional.
Idealizadora do EPLI, a professora do IFSP Tereza Martins explicou que o projeto foi desenvolvido para atender uma demanda de toda a Rede Federal. “Quando tínhamos um edital de intercâmbio, cada professor tratava a proficiência do seu aluno da sua forma, por meio de uma prova ou de uma entrevista. Precisávamos de uma prova que tivesse equidade. E percebemos que essa necessidade era nacional. A partir daí buscamos desenvolver o EPLI”.
Uma das maiores referências em avaliação e testagem de línguas do Brasil, a professora aposentada da Unicamp Matilde Scaramucci atua como supervisora técnica do projeto e enfatiza o diferencial do EPLI em relação a outros exames de proficiência conhecidos: ele foi pensado para atender as demandas dos estudantes da Rede Federal.
“Apesar dos seus mais variados níveis de proficiência e escolaridade, os estudantes apresentaram necessidades comunicativas semelhantes, identificadas por meio de uma análise. São demandas tanto para o uso da língua inglesa no Brasil para estudo e trabalho, quanto para intercâmbios. Ou seja, o exame avalia o uso da língua em contextos diversos”, declarou.
Coordenador de Relações Internacionais do IFSP, Wagner Belo destacou que a ação é resultado de um trabalho colaborativo de uma equipe multidisciplinar e tende a se tornar um instrumento fundamental para a democratização ao exame de proficiência em língua estrangeira em toda a Rede.
De acordo com Rafael Scarazzati, pró-reitor de Extensão e Cultura do IFSP e representante do reitor Silmário Batista no evento, a metodologia ficará disponível para a Rede para a aplicação de exames de proficiência em outros idiomas. “Esperamos que o EPLI também retroalimente a gestão para sabermos onde investir no desenvolvimento de aprendizado de idiomas no nosso país”.
Coordenação
Coordenado pela Coordenação de Relações Internacionais (ARINTER) do IFSP, o projeto reuniu especialistas de diferentes áreas do conhecimento. A professora Tereza Martins, do Campus Jundiaí, idealizadora da proposta, coordenou o desenvolvimento pedagógico do exame e da matriz de competências linguísticas. A coordenação do desenvolvimento tecnológico ficou sob responsabilidade do professor Paulo Evaristo, do Campus São João da Boa Vista, que liderou a criação da plataforma digital utilizada na aplicação das provas.
O desenvolvimento do EPLI também contou com a supervisão técnica da professora Matilde Scaramucci, professora aposentada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Reconhecida por sua contribuição ao desenvolvimento do CELPE-Bras, a pesquisadora acompanhou todas as etapas de construção do exame, contribuindo para assegurar sua consistência técnica e metodológica.
Avaliação
Nesta fase inicial de implementação, aderiram ao programa 39 instituições da Rede Federal: os 37 Institutos Federais, o CEFET de Minas Gerais e o Colégio Pedro II. A expectativa é que as aplicações ocorram em mais de 700 campi distribuídos por todas as regiões do país.
Com a estimativa de aplicação de 30 mil exames, o projeto permitirá a construção de um banco de dados inédito, capaz de subsidiar pesquisas, diagnósticos institucionais e a formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento das competências linguísticas dos estudantes brasileiros.
As primeiras provas estão previstas para começar em 16 de agosto e seguir até novembro deste ano. Nesse período, serão disponibilizados sete horários de aplicação por semana, com capacidade para atender até 350 candidatos em cada horário. A previsão é aplicar, até o encerramento desta primeira etapa, cerca de 30 mil exames.
O EPLI avalia as quatro habilidades linguísticas: compreensão oral, compreensão escrita, produção oral e produção escrita. As provas de compreensão são realizadas integralmente em ambiente computacional, utilizando os laboratórios de informática das instituições participantes. Já as produções oral e escrita são submetidas por meio da plataforma digital e avaliadas por professores especialistas, garantindo a qualidade e a confiabilidade do processo de certificação.
Para essa etapa, o IFSP realizou a seleção (por meio de edital público) de 22 professores corretores, responsáveis pela avaliação das produções oral e escrita dos candidatos.
Segundo os coordenadores da iniciativa, com a estimativa de participação em pelo menos 30 mil participantes no EPLI, o projeto permitirá a construção de um banco de dados inédito, capaz de subsidiar pesquisas, diagnósticos institucionais e a formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento das competências linguísticas dos estudantes brasileiros.
Além da produção de dados estratégicos, o exame busca enfrentar uma demanda histórica das instituições federais: ampliar o acesso dos estudantes a instrumentos de certificação linguística.
Os exames internacionais tradicionalmente utilizados em processos de mobilidade acadêmica possuem custos elevados, o que frequentemente limita a participação de estudantes em programas de intercâmbio, projetos de pesquisa e outras ações de cooperação internacional.
Ao oferecer gratuitamente um exame desenvolvido especificamente para a realidade da Rede Federal, o EPLI contribui para reduzir essas barreiras e ampliar as oportunidades de internacionalização da comunidade acadêmica.
Outro aspecto destacado durante o lançamento foi o fato de o exame representar um produto desenvolvido integralmente por profissionais da própria Rede Federal. Desde a concepção pedagógica até o desenvolvimento tecnológico, passando pela elaboração dos instrumentos de avaliação e pela estrutura de aplicação, todas as etapas foram conduzidas por servidores das instituições federais de ensino, evidenciando a capacidade da Rede de produzir soluções educacionais inovadoras para atender às suas próprias demandas.
Além do lançamento oficial do exame, o evento marcou o início da capacitação dos coordenadores institucionais responsáveis pela operacionalização das inscrições e das aplicações em cada uma das instituições participantes, etapa considerada fundamental para garantir a implantação uniforme do projeto em todo o país.
Com o início das aplicações previsto para agosto, o IFSP e as demais instituições participantes dão início a uma iniciativa que poderá transformar o diagnóstico das competências linguísticas na Rede Federal e ampliar significativamente as oportunidades de internacionalização para milhares de estudantes da educação profissional, científica e tecnológica.
Mais informações sobre o Exame de Proficiência em Língua Inglesa (EPLI), cronograma de aplicações e instituições participantes estão disponíveis no portal oficial do projeto: epli.ifsp.edu.br.

