O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), deu início nesta quinta-feira (5) a uma série de ações integradas na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica 2026). Com foco no fortalecimento do afroempreendedorismo e na promoção de direitos fundamentais, a pasta promove a Feira Afro Bahia e disponibiliza a Unidade Móvel do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela (CRNM) até o sábado (7).
Instalada na Praça Teixeira de Freitas, a Feira Afro Bahia funciona das 10h às 18h e reúne mais de 40 empreendimentos selecionados via edital público (nº 02/2025), em parceria com a Associação de Moradores do Conjunto Santa Luzia. A iniciativa visa incentivar a autonomia econômica e ampliar a valorização da cultura negra através da exposição e comercialização de produtos autorais. O público encontra expositores de artes e decoração, joias e acessórios, moda, beleza e autocuidado, além do segmento literário e gastronomia.
Para a assessora administrativa da Sepromi, Francisca Bonfim, que atua na coordenação de empreendedorismo negro da pasta, a presença da feira no circuito literário consolida políticas de inclusão produtiva. “O objetivo é atender à necessidade que os empreendedores negros têm de espaços de comercialização. Já estivemos em outras edições da Flica e em eventos como a Festa da Boa Morte, sempre fortalecendo essa presença em Cachoeira”.
Para quem expõe, a visibilidade oferecida pela feira representa geração direta de renda e expansão de mercado. É o caso da empreendedora Kenia Vasconcelos, idealizadora da marca Kainda, de Salvador, especializada em acessórios e serviços de customização de peças. “A Feira Afro Bahia é muito organizada e acolhe a gente. A Flica está com uma programação incrível e a gente está com a expectativa de que os dias sejam todos muito movimentados, de muita agitação, conhecimento e troca”, observou.
À frente de um ateliê voltado à moda de terreiro e indumentárias de religiões de matriz africana, o estilista Junior Teles pontua a relevância do espaço para negócios familiares e regionais. “Ano passado fomos muito bem acolhidos, tanto pelo público local quanto pelas pessoas de fora, e a expectativa para este ano é ainda melhor. Saímos da garagem na pandemia e hoje temos espaço físico e cinco costureiros trabalhando, sustentando cinco famílias em Camaçari. Viemos para Cachoeira através da Sepromi”.
Atendimento e combate ao racismo
De forma paralela à feira, a Sepromi mantém em funcionamento a Unidade Móvel do Centro de Referência Nelson Mandela durante toda a programação da Flica. A estrutura móvel, situada perto da Tenda Paraguaçu, presta suporte especializado ao público, com recebimento e registro de denúncias de racismo e intolerância religiosa, além de fornecer orientação jurídica e apoio psicossocial com os devidos encaminhamentos. A equipe técnica do órgão também realiza intervenções educativas voltadas à conscientização sobre direitos humanos e equidade racial entre os visitantes do evento.
A 14ª edição da FLICA é uma realização do Ministério da Cultura e Governo Federal, via Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Petrobras, apoio da Embasa, Sebrae, Prefeitura de Cachoeira e Governo da Bahia, por meio do Fazcultura, da Secretaria de Cultura (Secult-BA) e Fundação Pedro Calmom (FPC), Secretaria da Fazenda (Sefaz-BA), e Secretaria da Educação (SEC), com produção da Schommer Produções.
Repórter: Juana Castro/GOVBA

