Na última sexta-feira, 22, a equipe da Casa da Juventude de Ubatuba realizou uma palestra sobre “Comunicação Não Violenta (CNV)” na E.E. Prof.ª Semiramis Prado de Oliveira, localizada no Saco da Ribeira. A atividade foi conduzida pelo psicólogo Lucas Carvalho e reuniu cerca de 150 estudantes do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio, com idades entre 15 e 18 anos, em um momento de reflexão sobre convivência, saúde emocional e formas de comunicação no cotidiano.
A escola já havia programado em seu calendário um dia voltado à promoção da paz no ambiente escolar e o Grêmio Estudantil buscava uma palestra relacionada ao assunto. A direção entrou em contato com a Secretaria da Juventude, que organizou a palestra em conjunto com a escola como parte da programação.
Além da palestra, a equipe também realizou uma apresentação institucional da Casa da Juventude, explicando aos estudantes onde o equipamento está localizado, quando foi inaugurado e quais políticas públicas voltadas aos jovens são desenvolvidas no espaço, além dos serviços e atividades oferecidos gratuitamente à população.
Durante o encontro, os participantes acompanharam conteúdos baseados na obra do psicólogo Marshall Rosenberg, referência no tema da Comunicação Não Violenta. A palestra abordou como conflitos e situações de violência podem se manifestar de forma sutil, por meio de julgamentos, comparações e falas que dificultam o diálogo e o entendimento entre as pessoas.
Ao longo da atividade, foram apresentados os principais pilares da CNV, como a observação sem julgamentos, a identificação dos próprios sentimentos, o reconhecimento das necessidades envolvidas em cada situação e a formulação de pedidos de forma clara e respeitosa. A proposta foi mostrar aos jovens alternativas para transformar conflitos em diálogo e fortalecer relações mais saudáveis nos ambientes escolar, familiar e social.
“A violência começa muito antes do toque físico: ela nasce nas palavras, nas comparações e nos julgamentos diários que fazemos. Quando conseguimos substituir nossas reações automáticas por uma observação consciente e descrevemos apenas os fatos concretos sem julgamentos, nós abrimos espaço para a clareza, para a empatia e para o diálogo verdadeiro. Afinal, toda crítica nada mais é do que a expressão distorcida de uma necessidade nossa que não foi atendida”, destacou o psicólogo.
Os estudantes ainda participaram de dinâmicas e atividades práticas voltadas à empatia, escuta e expressão de sentimentos. Entre elas, a “Árvore dos Sentimentos”, em que os jovens registraram emoções, pensamentos e mensagens em um espaço coletivo de interação e acolhimento.
Um levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo em fevereiro de 2026, realizado em parceria com o Instituto Vladimir Herzog, 57% dos educadores apontaram melhora nas relações e no clima escolar após a implantação das Comissões de Mediação de Conflitos nas unidades de ensino.
Entre os alunos, de 50% a 52% relataram avanços na convivência escolar, enquanto 74% afirmaram que as ações contribuíram para ampliar o respeito entre pessoas com diferentes opiniões, culturas e modos de viver. A pesquisa mostrou que mais de 80% dos estudantes perceberam melhora na compreensão das emoções e na tomada de decisões mais conscientes.
O tema também integra políticas públicas do Governo do Estado de São Paulo por meio do programa Conviva SP, criado em 2019 pela Secretaria Estadual da Educação para promover ações de convivência, mediação de conflitos, saúde emocional e prevenção à violência nas escolas estaduais. Em 2021, o programa registrou mais de 21,7 mil inscrições em formações voltadas ao desenvolvimento de competências socioemocionais, empatia e diálogo no ambiente escolar.

